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Drops entrevista: Bell Marques, o eterno ídolo do Axé Music

A sequência de entrevistas do Drops Cafe continua essa semana com o maior nome do Axé de todos os tempos, ícone do carnaval de Salvador e um dos maiores nomes da música brasileira: Bell Marques. O ex líder do Chiclete com Banana conversa com a gente sobre sua história, a briga com os irmãos e a saída do Chiclete, se um dia tiraria a bandana em público, como a rapadura é o segredo de tanta energia, entre outros. Confira!

Drops: Bell, é um prazer falar com você. A galera do Drops Café é sua fã e eu pessoalmente te acompanho há anos. Tenho seis carnavais de Salvador e milhares de micaretas e shows seus no currículo. Sinta-se em casa conosco!

Bell: Que bacana ! Sempre bom conversar com quem conhece nosso trabalho!

Drops: Você começou o ano de 2017 com um tombo (uma fã foi interceptada pelo segurança, que escorregou e derrubou a todos), mas também teve pedido de casamento em Goiânia no ano passado, entre outras surpresas ao longo de sua carreira. Qual foi o fato mais curioso que já lhe aconteceu no palco?

Bell: Olha, em cima do palco, não tenho tantas surpresas, não! Acho que essa queda que levei na virada do ano acabou sendo uma das situações mais inusitadas. Já aconteceu de fã subir no palco, me abraçar e não querer mais largar, mas acho que a queda ainda ganha! rsrsrs

Drops: Você está desde 1979 em cima dos trios ou há 37 carnavais e a energia parece a mesma. Vimos no seu Instagram que você gosta de correr pela orla de Salvador. Quais são seus cuidados com o corpo e a voz? Antes de subir ao palco e no trio, você tem algum ritual?

Bell: Os cuidados com o corpo são o ano todo. Me esforço pra manter a alimentação balanceada o ano todo, malho e corro com frequência, acompanhado de um profissional da área. Minha dieta é assinada por uma nutricionista também e minha mulher, Aninha, é que fica no pé pra eu seguir direitinho! rsrsr Com a voz, confesso que não tenho cuidados excepcionais. Antes e durante o show, tenho sempre um pedaço de rapadura caseira do lado do meu copo de água. Mantém minha garganta aquecida e me dá energia. Tem funcionado! rsrsr

Drops: Você já está casado há mais de 20 anos, tem 2 filhos músicos e uma legião de fãs de todas as idades. Como é cantar para públicos de diferentes gerações no Carnaval?

Bell: Tenho fãs fieis desde o começo, que já tiveram filhos e, alguns, netos. Fico muito feliz de ter um público muito jovem me acompanhando também, a maioria por conta de familiares que já me seguiam e foram passando esse carinho de geração pra geração. O público mais jovem me mantem muito atualizado, me faz querer aprender cada vez mais, como é o caso dos meus filhos, Rafa e Pipo, que são meus gurus quando o assunto é a nova geração! rsrsr São eles que me orientam em todos os sentidos tecnológicos, por exemplo. É muito bacana ter esses jovens colados comigo.

Drops: Falando de seus filhos, está muito claro o seu apoio a Rafa e Pipo Marques. Eles são a cara do novo Axé? Qual é o futuro desse estilo no Brasil e quem mais esta despontando por aí na sua opinião?

Bell: Acho, sim, que Rafa e Pipo são os principais nomes da nova geração da música feita na Bahia. E sinto que os novos artistas, de maneira geral, estão cada vez menos presos a rótulos. Eles são filhos do Axé, mas tocam de tudo. São convidados sempre pra fazer shows pro público da idade deles, que não fica preso a um gênero e querem de tudo um pouco. É bacana ver que a sonoridade deles vem evoluindo e está cada vez mais livre de rótulos, com influências do Sertanejo, do Forró, do Samba e até do funk e da música eletrônica.

Drops: É indiscutível que Bell Marques é um ícone do Axé e da música brasileira. Você começou no Scorpius em 1977, que depois virou  Chiclete com Banana, liderando o grupo de 1982 a 2014, e agora tem o sucesso na carreira solo. Qual o balanço que você faz da evolução da música brasileira como um todo nesse período? Tivemos a onda do Rock, Axé, Pagode, Funk, Sertanejo…

Bell: A música, em todo o mundo, é cíclica. O sertanejo já esteve no auge, quando Chitãozinho e Xororó e Leandro e Leonardo estouraram, por exemplo. Estão de volta, com roupagem mais pop, digamos assim. O mesmo aconteceu com o Pagode, com o Rock e até com a MPB. O mercado vai se diversificando, vai mudando e o próprio público, em algum momento, vai buscando novidades.

Drops: Vimos numa entrevista que você disse que teria dúvidas de que lado os fãs ficariam após a sua gloriosa carreira no Chiclete, mas tenha certeza de que os fãs não tinham dúvida alguma e seu sucesso é prova disso. Mais de 300 mil cópias vendidas do “Vumbora ?!”, estando também entre os 10 mais do iTunes. Você ainda tem algum sonho a ser realizado profissionalmente?

Bell: O sonho do ser humano é, acima de tudo, ser feliz. E a felicidade é uma busca constante. É o que nos move, é o que nos mantém seguindo. Estou muito feliz com a carreira solo, contente por ter feito uma escolha difícil, mas acertada.

Drops: No último mês de janeiro de 2017, estreou o documentário “Axé : Canto do povo de um lugar” do diretor Chico Kertesz e que teve Carlinhos Brown como co-idealizador. A ideia foi contar a história do ritmo no Brasil desde “Nega do cabelo duro” de Luis Caldas despontando em 1985 até os dias de hoje. Naturalmente você é um dos protagonistas dessa história e o filme fala que sua saída do Chiclete (considerada o clímax do documentário) é “uma rixa dos Marques”, uma alusão a uma briga entre você e seu irmão (Wilson Marques). No filme você diz que fez propostas para ficar até o fim, mas o Wilson diz que agora “a família é ele e o Wadinho (tecladista)”.O que você pode comentar sobre a saída do Chiclete? O que você quis dizer com “propostas para ficar”? Era seu último recurso seguir carreira solo?

Bell: Eu não estava mais feliz no Chiclete. Estava acomodado e precisava de novos desafios, de tentar novas sonoridades e projetos. Os meus irmãos não tinham as mesmas pretensões que eu, então, achei que, depois de muito tempo pensando, era a hora. Não foi uma decisão de um dia pro outro.

Drops: Você é uma pessoa muito discreta quanto a vida privada. O que você pode nos dizer sobre como está seu relacionamento com seus irmãos (de sangue), Chicleteiros hoje em dia?

Bell: Família é família. Vamos nos acertando! Serei sempre o maior Chicleteiro deste país. O Chiclete será sempre minha história e nunca negarei.

Drops: A forma como se consome música no mundo mudou muito nos últimos tempos. Antes, o poder era das gravadoras e hoje com iTunes e Spotify a balança mudou. Qual é a sua estratégia de trabalho hoje em dia? Ainda há espaço para lançar CDs físicos com 12 músicas na era do download?

Bell: Pra um profissional como eu, de outra geração, é complicado entender algumas dessas mudanças. Mas, ao mesmo tempo, passei por diversas mudanças no caminho, nesses quase 40 anos de carreira. Somos adaptáveis e vamos nos familiarizando com as mudanças de mercado.

Drops: Acompanhamos a polêmica causada pela sua música “Cabelo de chapinha”. Você acabou tomando a decisão de mudar a letra. Me parece que a patrulha do chamado “politicamente correto” se ofende com qualquer coisa. Você acabou tomando essa decisão porque concordou com o argumento ou achou que a briga não valia à pena mesmo?

Bell: Eu tomei a decisão de ir ao Ministério Público porque considerei que os argumentos eram válidos. Sempre fiz música pra levar alegria, nunca tristeza ou pra ofender ninguém. Se o público não gostou, mesmo que uma parcela dele, é porque tinha algo que não estava certo ali. Conversei com os compositores e fizemos pequenas mudanças. O ser humano precisa ser humilde e ouvir.

Drops: Há algum tempo, você participou de uma campanha de uma empresa gigante e acabou raspando a sua barba, uma de suas marcas registradas. Não podíamos encerrar esse papo sem te perguntar: o Bell vai fazer um show sem bandana algum dia? (risos)

Bell: Mais forte do que minha barba é minha bandana. É uma marca registrada, um símbolo muito forte. Não vejo acontecendo esse show ! rsrsr

Drops: Rapidinha: se pudesse escolher entre tocar guitarra e cantar, o que seria ?Bell – Não fico sem os dois de jeito nenhum ! Ainda bem que não preciso escolher de verdade !

FERIADÃO: BELL MARQUES LEVA PROJETO “SÓ AS ANTIGAS” A SP E RJ. São quase 40 anos de carreira. Quase 40 anos de sucesso! Uma história de muita música, de brilho e emoções, que tem que ser celebrada. Os fãs de São Paulo e Rio de Janeiro – uma legião, vale dizer – não precisam esperar muito. As duas capitais recebem, nos dias 14 e 15 de junho, no Espaço das Américas e Centro Cultural Ação da Cidadania, respectivamente, o projeto Bell Marques – Só As Antigas.

Bell Marques – Só As Antigas São Paulo, 14 de junho (quarta-feira), 23h30 Espaço das Américas

Ingressos: R$ 160 a R$ 280Vendas: Ticket 360 Bell Marques – Só As Antigas Rio de Janeiro15 de junho (quinta-feira), 15hEspaço das AméricasIngressos: R$ 90Vendas: Ingresso Certo

 

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